Artigos

Crítica | A Vida Invisível reconhece seu valor e parte em busca do Oscar

A vida invisível, de Karim Aïnouz, ganhador do prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes estreia dia 21 de novembro de olho na corrida do Oscar.

O longa estrelado por Carol Duarte e Julia Stockler é baseado no livro A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, da escritora pernambucana Martha Batalha, e conta a história de duas irmãs muito unidas que acabam vivendo separadas em razão da estrutura social da época.

Embora seja uma história de época que se passa no Rio de Janeiro, ainda assim se torna atemporal e conversa com qualquer pessoa em qualquer lugar, já que o foco são as duas irmãs, como são suas perspectivas, seus sonhos e o amor entre elas, que conseguiu persistir durante anos ainda que elas estivessem cada uma levando sua vida.

Para que essa história pudesse ser contada para além de seu tempo e lugar, Karim e o produtor Rodrigo Teixeira fizeram questão de trazer para a produção uma equipe que pudesse trazer um olhar que conversasse com o mundo, e não só o Rio de Janeiro. Isso fica nítido com a escolha de figurino, cores e locações, a sensação é que a história poderia se passar em qualquer lugar do mundo, o que enriquece muito o filme.

Em coletiva com o elenco, produtor e diretor, foi possível ter uma perspectiva maior do intuito em contar essa história trágica entre duas irmãs. É claro que há uma crítica sobre a estrutura social da época, tão responsável pela separação e opressão dessas mulheres, todavia é justamente no fato da narrativa ser construída em cima de cartas que traz uma luz em como cada uma teve que levar a vida nas circunstâncias em que se encontravam. O fato de que uma pessoa em outra realidade possa se identificar nessa história é justamente o trunfo que pode levar esse filme ao Oscar.

Possivelmente é pensando nesta identificação que a Amazon decidiu apostar alto no filme e está investindo em uma campanha para o Oscar, motivo pelo qual ele também passou na frente de Bacurau, outra produção que deu o que falar durante o Festival de Cannes.

Embora Fernanda Montenegro seja o grande nome da produção, é nas atrizes Carol Duarte e Julia Stockler que a alma do filme se encontra, ambas trazendo atuações tocantes e críveis, sendo capazes de atingir o telespectador com momentos de ingenuidade e esperança, e momentos de grande tristeza e revolta. Infelizmente a atuação de Gregório Duvivier como Antenor não consegue ultrapassar a figura do ator e a relação entre as irmãs e os pais poderia ter sido melhor explorada, já que é a relação entre eles que acaba colocando uma sentença na relação entre Eurídice e Guida.

Não é a toa que o filme ganhou o prêmio de um dos maiores festivais de cinema do mundo. A sensibilidade com que sentimentos e sonhos são traduzidos conseguem atingir em cheio corações e é por isso que é um filme que vale conferir nos cinemas a partir de 21 de novembro.

  • Direção
  • Roteiro
  • Elenco
  • Fotografia
  • Trilha Sonora
4.6

Summary

Com atuações fortes, A Vida Invisível é uma história tocante, que embora faça um estudo sobre a condição da mulher na sociedade, ainda tem como protagonista a relação de amor entre duas irmãs.

Já conhece nosso canal do YouTube? Lá tem vídeo toda semana. Se inscreve!
Apenas uma garota que ama filmes, séries e livros. Veja mais conteúdos sobre filmes e séries no Canal Daniele Freitas e no Blog: Pipoca Pensadora.
Deixe seu comentário

Leia também