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La casa de Papel: Não adianta fugir, Berlim é um estuprador

Berlim é, talvez, o melhor personagem de La casa de Papel. Inteligência, charme, persuasão e cinismo são algumas das características que fazem parte de sua personalidade, e isso chama muito a atenção de nós, fãs da série. Confesso que, apesar de ver La casa de Papel com muita vontade, não é uma das minhas séries preferidas nem muito menos uma das melhores já feitas, como muita gente anda falando por aí. Aliás, essa nem é a proposta da série no final das contas. E uma das coisas que mais me incomodou é justamente a falta de profundidade de alguns dos personagens principais, e é aí que voltamos ao Berlim: ele foi muito bem desenvolvido. Por isso, o texto não é sobre o grande personagem que ele foi, mas sobre o que ele representa.

Atenção: terá spoiler daqui pra baixo!

O que me levou a escrever esse texto foi uma frase que ouvi no trabalho de uma amiga: “chorei muito com o Berlim, amei ele”. Não tem nada demais chorar por um personagem ou amar ele, porém fica estranho quando o personagem, apesar de muito bem construído, ser um estuprador. Não vou entrar no mérito dele ser um bandido, até por que a série deixa bem claro que esse espectro de bom e mau está ultrapassado e tem uma área cinza muito grande aí, no qual estamos dentro inclusive. Por isso, vou deixar a parte do “bandido” de lado e deixar a critério de cada um julgar – principalmente seu passado não explorado.

Berlim entra na casa da moeda para fazer o maior assalto de todos os tempos. Um plano genial, com pessoas boas que o ajudarão a chegar no seu objetivo. A série se passa em 5 dias, e vou explicar o por que é importante lembrar disso logo a baixo. Com o objetivo único de roubar, Berlim, o líder interno da operação, tem uma forma magistral de comandar tudo mesmo com os percalços, e por isso se torna alguém bastante ocupado, pra dizer o mínimo.

Como falei, o roteiro não deixa claro sobre seu passado, então não podemos afirmar que ele é um maníaco sexual. Tudo que ele tinha que fazer é, durante alguns dias, focar no sucesso do plano, sair e curtir a vida que o dinheiro pode dar. Mesmo assim ele quis pegar uma refém, a Ariadna, abusá-la física e psicologicamente e estuprá-la. É importante ressaltar isso de novo: ele a estuprou. Independente do seu final heroico ou de sua suposta justificativa de doença terminal, nada justificaria o ato, muito menos vindo de uma pessoa admirável. Volto a repetir que ele é um dos melhores personagens da trama, mas essa idolatria em cima dele, principalmente para quem não costuma analisar uma série de forma mais ampla, é estranha.

E para analisar essa forma de estupro, precisa se levar em consideração alguns fatores. O primeiro deles é que ela “se ofereceu” por pressão e por achar que a qualquer momento seria morta. E ele sabe disso. A série deixa bem claro que o Berlim é extremamente perspicaz. Ele pega tudo no ar, e ali ele percebeu sim que ela não estava a vontade. Então a gente não pode resumir todo o clima, a tenção, a pressão e principalmente a personalidade dos personagens em ”ela se ofereceu, logo está tudo certo”. A série deixa muita coisa pra gente pegar. Não é tudo explicado, e isso é bom demais! A gente tem que interpretar as situações muito além do que é dito. Então sim, ela foi estuprada, ela se ofereceu por medo de morrer e o Berlim tava ligado nisso tudo, só não tava nem aí. A maior prova disso é o dito final, onde ele quis dar um ‘sustinho’ extremamente desnecessário nela.

Isso não quer dizer que eu só goste de personagem bonzinho, aliás, é muito pelo contrário. Amo os personagens Jax de Sons of Anarhcy e Walter White de Breaking Bad por exemplo, apesar deles não cometerem crimes tão baixos e por razões inexistentes. A grande questão aqui é dizer que ama a pessoa que o personagem representa mesmo ele sendo um grandessíssimo filha da p*** (leia se ESTUPRADOR). Entende?

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Publicitário, designer, amante de séries e filmes, voluntário do TEDxJoãoPessoa e criador do site Tem Alguém Assistindo?, especializado em séries e filmes.
  1. Laurice Paes
    29 de abril de 2018

    Até que enfim achei alguém que pensa como eu.lamentavel ver algumas mulheres chamando a Ariadna de vagabunda e defendendo esse cara com unhas e dentes

  2. 2 de maio de 2018

    Realmente é uma pena, Laurice. 🙁

  3. Fernando Balacinao
    10 de maio de 2018

    Gostei do texto. Denver também pode ser considerado um estuprador. Mónica Gaztambide também estava num estado de vulnerabilidade, mas a série pós a relação deles num contento totalmente diferente. Mas foi estupro.

  4. Nossa, coitadinha dela era uma santa…

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