É bom deixar bem claro: La casa de Papel não é uma série original Netflix. Ela foi criada pelo canal a cabo espanhol Antena 3 em 2017, com um total de 15 episódios com mais de uma hora de duração cada. A Netflix adquiriu seus direitos de distribuição e por conhecer seu público e saber que dificilmente assistiríamos a uma série tão longa, cortou os episódios para uma média de 50 minutos, sendo a primeira parte com 13 episódios e a segunda, que chega em abril ao catálogo, com 6, dando um total de 19 episódios.

A Netflix está conhecendo cada vez mais seu público e, após o sucesso de Dark, séries de outra língua estão virando costumes entre os brasileiros, que a assistiram obras em português ou inglês apenas. Mesmo com estes dados em mãos, era impossível prever o fenômeno que virou La casa de Papel. Poucas séries no mundo todo tem a capacidade de se tornar popular entre vários públicos diferentes. 13 Reasons Why por exemplo é um fenômeno entre os mais jovens. Já Breaking Bad é uma das séries mais assistidas da história, porém entre o público adulto. Hoje, arrisco a dizer que neste nível temos The Walkind Dead, Game of Thrones e Stranger Things, que são propagadas a torta e a direita pelos fãs. Lógico que sempre terá predominância de alguma idade, mas com certeza essas séries são assistidas por públicos diferentes. Agora, temos La casa de Papel, série lançada em dezembro de 2017 no catálogo e que virou até fantasia de carnaval em 2018.

Possíveis SPOILERS abaixo.

A série fala de um plano, elaborado por um personagem chamado Professor, de assaltar a Casa da Moeda da Espanha. Apesar de não ter a mesma premissa, o conceito por trás de tudo está sendo bastante comparado a Prison Break, onde Michal Scofield, um gênio, entra em uma prisão para tirar seu irmão de lá. Professor, igualmente genial, colocou logo no primeiro episódio Tóquio (Úrsula Corberó), Nairóbi (Alba Flores), Rio (Miguel Herrán), Moscou (Paco Tous), Berlim (Pedro Alonso), Denver (Jaime Lorente), Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto García) dentro da fábrica de dinheiro para realizar o maior assalto de todos os tempos.

A grande pagada da série é que os assaltantes não vão roubar ninguém. Querem literalmente imprimir dinheiro durante alguns dias e sair de lá com as notas novinhas, prontas para serem gastas. Professor, logo de cara, deixa isso bem claro. Ele não quer mortes nem feridos entre os 67 reféns, apenas chegar, colocar o plano em prática, imprimir dinheiro e sair ileso. Isso, além da perceptiva demonstração de empatia por parte dele, é também um fator decisivo para ganhar a população e fazer com que eles não sejam vistos como vilões. E é exatamente isso que acontece com a gente. Além do contexto, dos personagens que cativam o público e toda a tensão que fica, La casa de Papel tenta realizar algo que muitos teriam pelo menos a curiosidade de ver em prática (ou quem sabe fazer?). Até o momento, em tempos que estamos tão acostumados a não nos colocarmos no lugar de outras pessoas, esta emparia entre público-série está sendo o suficiente para fazer dela um fenômeno.

A série está longe de ser perfeita, por vezes parace uma novela, tem alguns furos graves, mas entretém muito bem e justifica o apelo entre o público médio. E creio que nem os criadores (e com certeza a Netflix) sonhariam que uma parte do plano do Professor se saria tão bem fora da série, afinal, estamos torcendo é pelos assaltantes, né?

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