Análise | ‘Sociedade da Virtude – A Série’ honra o legado da websérie brasileira

Pode ser uma surpresa para você, caro leitor, mas eu sou fascinado por HQs de super-heróis desde criança, quem é próximo de mim sabe disso muito bem (principalmente pelas coleções que eu já não tenho mais onde guardar). Então você pode ter certeza de que Sociedade da Virtude – A Série estava no meu radar, trazendo um elenco de dublagem extraordinário, criadores apaixonados pelo projeto e todo o charme brasileiro que a gente ama.

Sociedade da Virtude: A Série | Por que você precisa ver a nova animação da HBO Max (Entrevista) - O VícioQuando o bilionário Lucas Lang Lume (Antônio Tabet) arquiteta um plano para dominar o mundo, cabe à Pantera Ruiva (Guilherme Briggs) embarcar em uma missão maluca para impedi-lo, mas ela não estará sozinha. Descubra as origens de Majestosa (Maíra Góes), Vigilante Noturno (Duda Ribeiro), Big Bang (Maurício Berger), Volt (Marcelo Garcia) e Juan Marine (Reginaldo Primo) e veja por que, juntos, eles são a Sociedade da Virtude.

Ao contrário de outros projetos, esse precisa de um pouco mais de contexto. Sociedade da Virtude veio ao mundo em 2017, criação de Ian SBF, da produtora Porta dos Fundos, ao lado do ilustrador Thobias Daneluz, surgindo como uma websérie no formato de motion comics.

Sociedade da Virtude (Show) | Sociedade da Virtude Wiki | FandomNão preciso nem dizer que foi um grande sucesso na época, incentivando muitos outros ilustradores e criadores brasileiros a seguirem caminhos semelhantes e divulgarem seus projetos. No meu caso, conheci Sociedade da Virtude através do meu grande amigo, e talentoso desenhista, Gustavo Henrique Lopes (SALVE!), outro viciado em HQs e nerdices.

Eventualmente, o projeto encontrou seu caminho até o Adult Swim e a HBO Max, onde retorna com uma temporada completa de 10 episódios e toda a atenção que merece. Sociedade da Virtude – A Série satiriza tudo no gênero de super-heróis, com piadas que quebram a quarta parede e referências a acontecimentos recentes. Sim, hoje isso pode parecer batido, com filmes como Deadpool e séries como The Boys seguindo caminhos semelhantes, mas, como eu havia dito, Sociedade da Virtude surge inicialmente em 2017, sendo uma das primeiras a utilizar essa metalinguagem e, mesmo hoje, 9 anos depois, funciona melhor do que a maioria nesse quesito.

Pegue Deadpool, por exemplo, um personagem, e uma série de filmes, da qual eu não sou muito fã, justamente por extrapolar suas piadas a níveis constrangedores e não saber decidir a hora de se levar a sério ou não. Sociedade da Virtude – A Série deixa claro, logo na sua primeira cena, que está aqui para extravasar, divertir e desafiar as noções básicas do gênero, com piadas inteligentes e bem encaixadas. Claro que isso não seria suficiente sem o trabalho impecável do elenco de dublagem brasileiro, que torna cada cena icônica. Para mim, o destaque vai para Duda Ribeiro no papel de Vigilante Noturno, um personagem estilo Batman que se leva a sério 100% do tempo, mesmo com um preparo completamente bizarro, e é justamente aí que cada diálogo se torna ainda mais hilário.

Vigilante Noturno | 1ª HQ da Sociedade da Virtude será lançada na CCXP 2018O estilo pode não ser para todo mundo, mas quem der uma chance vai encontrar um projeto memorável, feito com extremo carinho. Sociedade da Virtude – A Série é a culminação de quase 10 anos de trabalho, trazendo diversão na medida certa e provando que o gênero ainda tem muita lenha para queimar nas mãos certas,e, hey, quem sabe a gente não vê mais brasileiros adentrando projetos similares no futuro?

Nota: 4/5

Direção: Ian SBF

Elenco: Guilherme Briggs , Maíra Góes, Duda Ribeiro, Maurício Berger, Marcelo Garcia, Reginaldo Primo.

Análise feita por Bruno Sá

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