Bom, por onde eu começo? Sendo bem honesto, eu não esperava mais nada dessa trilogia, que se esforçou ao máximo para destruir tudo que o longa original possuía de especial. Mas, se Deus quiser, a jornada chega ao fim, e, olha, pelo menos é melhor do que o capítulo anterior, o que não é muito difícil.
Após passar pelo inferno nos capítulos anteriores, a jornada de Maya (Madelaine Petsch) chega ao fim. Com o cerco se fechando, os assassinos parecem não dar trégua, forçando Maya a um caminho sem volta, em um acerto de contas brutal onde a vítima se torna a caçadora.
Eu me questiono: qual era o resultado esperado aqui? O diretor Renny Harlin, em toda a sua sabedoria, dividiu um único roteiro em três filmes, filmados todos juntos para economizar no orçamento e lançá-los de forma rápida nos cinemas. O resultado? Não houve como corrigir o trajeto após a recepção negativa do primeiro capítulo, mas ainda tentaram adicionar cenas na esperança de deixar os dois filmes seguintes mais coesos e, de um modo impressionante, conseguiram piorar tudo ainda mais.
As refilmagens incluíram uma sequência vergonhosa no capítulo 2, onde Maya é caçada por um javali em CGI, pouco agregando à narrativa. E o mesmo se repete aqui: as cenas adicionais não fazem o menor sentido, surgindo soltas ao longo do filme, sem qualquer cuidado em dar coerência às passagens ou até mesmo alguma noção de tempo na vida da protagonista.
O longa, e a trilogia como um todo, parece não entender o seu próprio título, Os Estranhos. Boa parte da duração é dedicada a dar rosto e explicar a motivação dos mascarados, com flashbacks que parecem saídos de uma série adolescente do Disney Channel.Poderia fazer elogios à trilha sonora, que até possui faixas interessantes e engrandece o suspense e os confrontos de Maya com os assassinos, mas, em decorrência da adição de cenas nas refilmagens, a escolha de músicas em vários momentos parece completamente aleatória. Minha teoria é que, ao perceber que havia cenas a mais, o estúdio optou por incluir músicas licenciadas nessas novas sequências, transformando o filme em um completo Frankenstein. Mas, né, combina com a trilogia.
Não há muito o que falar sobre Os Estranhos: Capítulo Final, e eu não pretendo me alongar, pois isso seria dar valor a um filme que desrespeita sua audiência. Enquanto Os Estranhos (2008) trazia um filme visceral e agoniante sobre invasão domiciliar, com um final perturbador, mostrando que a violência não precisa ter sentido para acontecer, e sua sequência, Os Estranhos: Caçada Noturna (2018), funcionava como uma homenagem ao gênero slasher dos anos 70 e 80, essa trilogia foi feita apenas para capitalizar no nome do filme original. O resultado é a pior trilogia de terror da década.
No fim, Os Estranhos encerra a trilogia do mesmo jeito que começou: sendo uma perda de tempo e, francamente, algo que poderia muito bem ter sido um simples e-mail.
Nota: 1/5
Direção: Renny Harlin
Elenco: Madelaine Petsch , Gabriel Basso, Ema Horvath, Richard Brake
Análise feita por Bruno Sá