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Crítica | Ghost in the Shell: cyberpunk na veia e uma das maiores obras já feitas

Ghost in the Shell – O Fantasma do Futuro é filme de animação japonesa de 1995 com mais ou menos uma hora e vinte minutos de duração, considerada por muitos umas das melhores obras de ficção científica de todos os tempos. Esse texto tem o objetivo de convencer você a assistir o anime, portanto, não terá nenhum spoiler!

Com o lançamento de Blade Runner 2049 nos cinemas em 2017 e com a série Altered Carbon da Netflix, lançada em 2018, a estética cyberpunk está de volta com tudo. Caso você tenha assistido a este filme, já tem uma boa ideia do que isto significa esse termo. Cyberpunk, em linhas gerais, é um sub-gênero da ficção científica onde o futuro é predominantemente dominado por grandes corporações, onde uma suja sociedade convive com uma alta tecnologia e baixa qualidade de vida. Uma das primeiras obras lançadas com o tema foi justamente o filme Blade Runner, de 1982, uma inspiração completa para Ghost in the Shell. Ambas as obras, em contextos completamente diferentes, trazem um questionamento em comum: até que ponto um cyborg pode ser considerado humano?

O “ghost” do filme faz alusão à nossa alma, ou consciência individual das pessoas, “injetada” em um corpo desconhecido. Em 2029, num futuro extremamente distópico, a maioria das pessoas possuem implantes cibernéticos como forma de minimizar os “danos” de serem humanos, como doenças, perdas de membros, etc. Os chamados cyborgs são seres com apenas o cérebro de humano, em um corpo completamente artificial. Major Motoko, líder do Esquadrão Shell, é a cyborg encarregada de resolver crimes praticados por grandes hackers. O famoso Mestre das Marionetes, hacker que tem como especialidade invadir e controlar cérebros cibernéticos e as vontades das pessoas, está no Japão, e assim Major começa sua caçada.

Ghost in the Shell, maior inspiração para a trilogia Matrix, não é um filme de ação, como o citado. Tem ação – e muita – porém, o filme valoriza muito mais o drama e toda a filosofia por trás dos diálogos dos personagens do que a trocação de tiros e explosões. “Ter um cérebro humano nos faz humano?”; “Eu realmente existo?”; “Se sim, pra que eu existo?” e são alguns dos questionamentos levantados pela trama.

Major é uma protagonista incrível! Apesar de nunca demonstrar emoções, nós conseguimos sentir exatamente o que ela quer dizer ao longo do filme. Sua consciência de existência, seu trabalho como líder do esquadrão para uma grande empresa, tudo o que ela vê acontecer em torno de si junto a suas contradições e questionamentos, nos faz criar um sentimento sobre ela, apesar do filme ser curto e não desenvolver profundamente ninguém presente na história.

Levantando questionamentos da nossa natureza, crises existenciais, em meio a um grande ataque cibernético em uma sociedade cruel, o filme quer mexer com o nosso psicológico e nos fazer pensar acima de tudo. A primeira coisa que você precisa saber, até mesmo antes da história, é que Ghost in the Shell não irá te explicar praticamente nada. Pelo menos não como estamos acostumados. Muito da história precisa ser percebida e entendida por quem assiste. Os diálogos são complexos e reflexivos e nós que temos que avaliar o impacto que essa alta tecnologia tem na sociedade e, ao final, julgar se é ou não prejudicial.

Um filme sensacional, que conseguiu nos contar uma história extremamente atual a praticamente 20 anos atrás, onde a tecnologia cibernética estava começando e nós, meros mortais, não tínhamos ideia até onde ela chegaria. Tentar prever algo em 2017 é uma coisa, em 1995 é outra completamente diferente. Além de um roteiro fantástico, como já falei, uma trilha sonora que, ao meu ver, é uma das mais bonitas já feita pelos japoneses, com personagens cativantes (mesmo com poucas emoções demonstradas) e a alta carga filosófica, o que mais me chama atenção de Ghost in the Shell é como esta obra estava além de seu tempo e de como isso reflete coisas bastante comuns na nossa atual sociedade. O pior é que, atualmente, os “cyborgs” são seres totalmente humanos mesmo.

 

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  • Direção
  • Roteiro
  • Elenco
  • Fotografia
  • Trilha Sonora
5

Resumo

Ghost in the Shell é como esta obra estava além de seu tempo e de como isso reflete coisas bastante comuns na nossa atual sociedade. O pior é que, atualmente, os “cyborgs” são seres totalmente humanos mesmo.

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Publicitário, designer, amante de séries e filmes, voluntário do TEDxJoãoPessoa e criador do site Tem Alguém Assistindo?, especializado em séries e filmes.

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