Todo Dia A Mesma Noite, final explicado
Todo Dia A Mesma Noite é uma minissérie brasileira que chegou na Netflix e conta sobre a tragédia da Boate Kiss, que aconteceu em janeiro de 2013 e está fazendo muito sucesso.
A trama acompanha, partindo do momento do acidente, as histórias dos impactados por ela em diferentes pontos de vista, como o trabalho das equipes de resgate, as consequências para os sobreviventes e a negligência dos empresários da organização da boate.
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Neste post, vamos falar sobre o final da série que conquistou os assinantes da Netflix. Cuidado com spoilers.
Final explicado
Na história, nós conhecemos Mari, uma jovem que está fazendo aniversário e irá completar 20 anos. Depois de comemorar com a família, ela planeja passar a noite na Boate Kiss, com duas amigas.
Além delas, vários outros jovens vão para o mesmo clube. Passada a meia-noite, a banda que toca na boate solta fogos de artifício e, logo, o teto começa a pegar fogo. Os extintores de incêndio do clube não funcionam e o fogo não pode ser controlado.
Todos entram em pânico e correm para a única saída do clube. Sem saber do incêndio, o segurança não abre o portão para deixar as pessoas saírem, mas as pessoas conseguem sair, mas ainda há várias vítimas, algumas ainda presas lá dentro.
Os bombeiros, paramédicos e policiais chegam ao local e encontram o caos total. Despreparado para lidar com tamanha calamidade, o Hospital Universitário de Santa Maria luta para atender tantos casos de emergência ao mesmo tempo.
Algumas pessoas chegam ao local, mas depois morrem devido a problemas respiratórios. Os médicos teorizam que esses não são casos de envenenamento por monóxido de carbono.
Os corpos das 242 pessoas que não sobreviveram são levados para o ginásio de esportes da cidade para serem identificados por seus familiares, enquanto dois pacientes gravemente feridos, Grazi e Fernando, são levados para um hospital de Porto Alegre.
Depois de procurar os filhos desaparecidos na boate e nos hospitais a noite toda, os pais de Mari, Guilherme, Felipinho, Marco e Beatriz descobrem a morte deles.
Portella e Rocha, os delegados encarregados do caso, descobrem que quando o teto de poliuretano pegou fogo, liberou gás cianídrico, o mesmo que foi usado para matar judeus nos campos de concentração durante o Holocausto.
As vítimas morreram envenenadas por cianeto, o que explica por que tantas delas tiveram dificuldade para respirar, mesmo depois de saírem vivas do clube. A perna de Grazi é amputada e a maior parte do corpo de Fernando fica gravemente queimada.
Um dos donos do clube, Dedé, tenta se matar no hospital. Os músicos, que escaparam após o início do incêndio, comparecem ao funeral de um dos integrantes da banda e são presos. No entanto, a polícia consegue apenas cinco dias de prisão temporária para eles.
Os culpados
Em uma reunião para as vítimas, os pais se unem para dar apoio aos sobreviventes e exigir justiça para seus filhos.
Quinze dias após o ocorrido, os pais formam a Associação das Vítimas da Tragédia em Santa Maria.
A polícia descobre que o teto da boate era forrado com espuma inflamável, por ser uma alternativa mais barata. Da mesma forma, como as bombinhas de interior são mais caras, a banda usou bombinhas de rua mais baratas, que continham pólvora e não eram adequadas para uso em local fechado.
Além disso, os extintores foram retirados de seu lugar original porque Dedé achou que estragava a estética do clube, e o outro extintor foi usado de brincadeira em um aniversário alguns dias antes do ocorrido.
Em abril de 2011, o corpo de bombeiros inspecionou o clube e solicitou a instalação de luzes e saídas de emergência. O clube foi reformado, mas esses problemas não foram resolvidos. Outra inspeção do clube alguns meses depois não mencionou nenhuma dessas questões e foi assinada por um bombeiro que nem estava presente.
Um mês depois do incêndio, na promotoria, o pai de Guilherme, Geraldo, lembra ainda que a boate estava superlotada naquela noite, com cerca de 1000 pessoas, e foi liberada para funcionar apesar dos alvarás vencidos. Os pais exigem que os culpados sejam acusados de assassinato.
A polícia recebe uma denúncia de que a prefeitura está escondendo documentos que atestam 29 irregularidades dentro da boate, que lhes foram ocultados.
A polícia indicia 28 culpados, mas o Ministério Público acusa apenas os proprietários do clube e os músicos de homicídio doloso, o que significa que o caso seria um caso de homicídio e não um caso em que se discutiria se a negligência foi um acidente.
Os pais se encontram insatisfeitos e querem que os políticos também sejam punidos. O pai de Mari, Pedro, registra um promotor dizendo que um dos donos do clube tinha um acordo com a prefeitura, mas eles não conseguem provar nada.
Como resultado de suas buscas, a mãe de Felipinho, Ana, descobre que os promotores fecharam a boate por causa do barulho, e ela foi autorizada a reabrir apesar das irregularidades.
Os pais lutam por justiça por um ano, enquanto Grazi e Fernando se recuperam. Moacyr, pai de Beatriz, renuncia ao cargo de presidente da associação, e Ricardo, pai de Marco, assume.
Dois anos depois da tragédia, ainda lutando por justiça, os pais acusam o Ministério Público de corrupção. Eles cobrem a prefeitura e vários outros locais de Santa Maria em cartazes, criticando a atuação do prefeito e do procurador da cidade.
Como resultado, os pais enfrentam outro obstáculo em sua luta; Ana, Ricardo, Geraldo e Pedro são indiciados por difamação e calúnia, enquanto Ana também responde por falsificação de identidade.
Eles recebem uma oferta do Ministério Público – todas as acusações serão retiradas se os pais assinarem um pedido de desculpas.
As acusações foram retiradas?
Ana, Ricardo, Geraldo e Pedro decidem não assinar o pedido de desculpas pelo bem dos filhos, apesar da possibilidade de serem presos, caso sejam considerados culpados.
Ricardo e Pedro devem impedir que seu caso vá a julgamento provando que suas alegações não eram mentiras. Leva anos para eles chegarem lá, mas não conseguem provar ao juri o que afirmam ser a verdade.
Como último recurso, Pedro divulga a declaração do promotor que havia gravado anteriormente, o que vira a maré a seu favor aos olhos do público. Os tribunais rejeitam todos os processos contra os quatro.
Os pais ficam sabendo que os julgamentos dos quatro acusados estão sendo adiados. O tribunal fará os julgamentos sem um júri popular que, de outra forma, teria julgado a intenção.
Não se chega a uma decisão se o caso deve ser apresentado a um júri ou não, o que favorece os réus e resulta no recurso dos promotores.
Os pais, cansados de brigar por anos, tentam impedir a demolição do clube para preservar tudo. Além disso, Ricardo desmaia e seus médicos pedem que ele descanse. Pedro torna-se então o presidente da associação.
Seis anos e meio depois do incêndio, os pais recebem o recurso do Ministério Público, pedindo o julgamento por júri popular pelo assassinato de 242 pessoas.
Pedro fala no tribunal para explicar a diferença entre um acidente e aceitar um risco que pode levar a muitas mortes. Ouvido seu depoimento, o desembargador dá provimento ao recurso do Ministério Público, permitindo que ele submeta o caso a júri popular.
Os pais conseguem justiça?
Grazi e Fernando tentam aceitar as novas circunstâncias e seguir em frente na vida. Grazi tenta voltar para a dança, enquanto que Fernando tenta tocar violão.
O julgamento é adiado devido à pandemia e ocorre em 2021. O júri condena os quatro réus de 19 a 20 anos de prisão.
No entanto, nove meses depois, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul anula essa sentença por motivos técnicos, e os quatro réus são libertados.
Um novo júri ainda não foi marcado. Já se passaram dez anos desde o incêndio na Boate Kiss, e ninguém foi responsabilizado pelo ocorrido.
Alguns dos pais já faleceram, outros estão aprendendo a conviver com a dor e seguir em frente, mas a associação segue lutando para fazer justiça para seus filhos e punir os responsáveis por suas mortes.