Eu não sou fã de biopics, longas que contam a trajetória de artistas, é polêmico dizer isso? Pra mim, são filmes que tendem a tratar as estrelas representadas como gênios incompreendidos, perfeitos em todas as suas execuções, quase como divindades, mas Michael é diferente, me agarrando pelo coração e provando que música é uma linguagem capaz de transcender a vida.
O longa acompanha a história do rei do pop desde seus primeiros dias com seus irmãos no Jackson 5 até suas empreitadas solo. Enquanto busca se tornar o maior artista do mundo, Michael (Jaafar Jackson) precisa encontrar seu próprio caminho enquanto enfrenta os abusos e a manipulação de seu pai, Joe Jackson (Colman Domingo).
Ao contrário de outras biopics, Michael vinha com uma massiva antecipação desde seu anúncio, e não é pra menos já que estamos falando de Michael Jackson, um dos, se não o maior artista que o mundo da música já viu. Com isso, havia a preocupação sobre quem iria encarnar o rei do pop: ninguém mais, ninguém menos que o cantor e dançarino Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson.
A atuação de Jaafar Jackson me deixava arrepiado em cada cena, me emocionava em cada performance, já fazia muito tempo que uma atuação não me impactava dessa forma. Suas trocas com Colman Domingo, no papel de Joe Jackson, gera cenas tensas, e diria que os dois contracenando juntos são o grande destaque do longa.
Destaque também para Juliano Valdi, que encarna o jovem Michael Jackson no início de carreira com os Jackson 5. O ator, que na época em que foi escalado para o papel possuía apenas 9 anos de idade, encara um papel cujo peso não é nem capaz de ser mensurado e, ainda assim, parece que nasceu para isso, demonstrando o contraste entre a infância perdida e as pressões do pai.
Sim, tem que ser dito: Michael é um filme que joga seguro. O roteiro pouco se interessa em dar profundidade aos seus personagens, às relações ou até em colocar o dedo em algumas feridas do legado de seu superstar. Ao invés disso, o filme propõe uma viagem pelos melhores momentos da carreira de Michael Jackson, sem dar muito tempo para respirar. Michael não é muito diferente de outras biopics, se enquadrando exatamente na estrutura de muitas que vieram antes dele, mas, ainda assim, um pensamento me pegou desprevenido durante a sessão: Michael Jackson está vivo.
Me recordo das tardes de sábado ouvindo suas músicas com minha mãe, das incontáveis vezes que seus álbuns tocaram nas rádios do Brasil, de seus clipes na MTV. Quantos artistas possuem esse impacto? Estar presente no cotidiano das pessoas mesmo uma década após seu falecimento… não, Michael Jackson e seu trabalho provam que a música é uma linguagem universal capaz de unir a todos. Basta tocar uma de suas músicas em uma festa e, independentemente da idade ou do gosto, todos cantam e dançam, e o filme honra esse legado.
Michael acerta onde é necessário: no coração e no legado do rei do pop, convidando pessoas de todas as idades a celebrarem seu trabalho. De tudo, posso dizer que o filme é um comprovante de vida, a prova de que Michael Jackson nunca nos deixou.
Nota: 3,5/5
Direção: Antoine Fuqua
Elenco: Jaafar Jackson , Kat Graham, Colman Domingos, Miles Teller, Juliano Valdi, Nia Long, Laura Harrier.
Análise feita por Bruno Sá