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Crítica | Russian Doll: uma ótima surpresa da Netflix!

Estreou sem muito alarde no dia primeiro de fevereiro no catálogo da Netflix a comédia Russian Doll. Tímida no marketing, a série tem tudo para se tornar o novo hit do serviço de streaming. A série gira em torno de Nadia, uma programadora de video games que está completando 36 anos e morre no dia do seu aniversário. E aí ela “acorda” novamente no banheiro da casa onde está rolando sua festa. E ela vai ficar nesse looping de novo e de novo e de novo, até descobrir o que está acontecendo e como quebrar esse looping.

A premissa, num primeiro momento, pode não soar original, principalmente quando A Morte Te Dá Parabéns 2 chega aos cinemas no mesmo mês, tendo praticamente a mesma premissa (a diferença que é no filme a morte é matada enquanto na série a protagonista morre de morte morrida). O que diferencia Russian Doll de outras produções do gênero não está na sua história, mas sim nos temas que ela aborda a partir de sua premissa, não ficando em nenhum momento refém da mesma.
A trama flui facilmente, o que facilita muito na hora de maratonar.

Embora se trate de uma comédia e os episódios tenham em média trinta minutos de duração, não apenas a trama avança de forma satisfatória mas também e principalmente ocorre um excelente desenvolvimento de personagens, sendo adicionadas camadas e de forma progressiva a série vai chegando nos pontos que ela realemente quer tocar. Temas como aceitação, depressão, amor (próprio e ao outro), superação são adicionados e desenvolvidos conforme vai se desenrolando as peripécias dos personagens, tudo isso com um humor ácido certeiro e embrulhado numa roupagem sci-fi metafísico.

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E todas essas nuances poderiam ter pouco efeito não fosse o excelente trabalho do elenco, em especial da protagonista vivida por Natasha Lyonne, que também assina como showrunner da série, ao lado de Amy Poehler e Leslye Headland. A construção de sua personagem é vívida e enérgica, nos deixando curioso com o que vai acontecer em seguida. Destaque também para Charlie Bernett, que interpreta Alan, um cara metódico que está tendo o pior dia de sua vida e compartilha do mesmo “problema” da nossa protagonista. A relação dos dois é construída de forma orgânica e não demora muito para você acreditar na amizade que se forma entre eles. O restante do elenco, quando não são ótimos, ao menos não prejudicam.

Além disso, a série também é muito competente nos apectos técnicos. Ambientação, jogo de câmera e direção de arte estão alinhados para ajudar a contar e potencializar a história. É só repararmos, por exemplo, na diferença de ambiente da casa da Nadia e de Alan, evidenciando a diferença de personalidade entre eles. Outros toques, como as frutas e plantas apodrecendo conforme os loops acontecem ganha importância, mas começa de forma bem sutil, mas chamando a atenção do espectador mesmo assim.

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Ainda assim, a série não está isenta de problemas. algumas coincidências e facilitações de roteiro são usados, bem como o elo que fazem Nadia e Alan compartilharem da mesma condição ser um tanto mal explicado. Claro que nada disso tira o brilho e os méritos da temporada, que ao seu final tem um saldo mais do que positivo.

Sem notícias até o momento sobre uma possível renovação, a temporada encerra sem nenhum grande cliffhanger para um eventual segundo ano. Há quem esteja torcendo para que seja uma minissérie, pois se olharmos bem, não parece ter muito para onde a história ir sem cair num ciclo de repetição desnecessário, mas se os roteiristas apresentarem ao menos um pouco da criatividade mostrada até aqui, a série pode ter um futuro brilhante ainda. Nos resta esperar por mais informações.

Por Thiago Pereira

  • Direção
  • Roteiro
  • Elenco
  • Fotografia
  • Trilha Sonora
4.6

Russian Doll

Russian Doll acerta em cheio no desenvolvimento da trama e de seus personagens, dando uma cara nova a uma premissa que parece estar batida.

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