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Crítica | O Farol é uma experiência única e imersiva

Robert Eggers, Jordan Peele, Ari Aster são os nomes por trás de uma série de filmes perturbadores que causaram surpresa ao público e a crítica. O que eles têm em comum é uma identidade própria em seus filmes que fogem do terror convencional, e focam na crítica social, no luto ou no isolamento. Com A Bruxa, Robert Eggers se apresenta ao grande público de forma extraordinária e criativa, misturando a atmosfera de terror e isolamento, com aspecto de conto folclórico. Em O Farol, ele faz o mesmo, só que dessa vez explora a loucura.

O longa, que se passa por volta de 1890, conta a história de dois faroleiros, o mais experiente Thomas Wake (Willem Dafoe) e seu ajudante Ephraim Winslow (Robert Pattinson) que acabam presos e isolados em uma ilha. Conforme o tempo passa e o isolamento passa a pesar, Ephraim, proibido de subir até a luz do farol, começa a ficar mais interessado no mistério, o que gera uma série de conflitos com o faroleiro mais velho. O filme preto e branco rodado em 35 mm é uma experiência imersiva que parece um conto obscuro de marinheiros.

Com apenas dois personagens principais, e o próprio farol, o filme é carregado pela atmosfera de mistério e pelas atuações inquietantes de Dafoe, que esteve no Brasil com Robert Eggers para promover o filme na última terça-feira, e Robert Pattinson quase irreconhecível e em uma atuação potente. Não há dúvidas que houve uma entrega total para o papel e um esforço conjunto dos atores e diretor para realizar uma obra que ficará marcada na cabeça do telespectador.

Dafoe entrega uma performance até caricata de um pirata, mas que condiz perfeitamente com a atmosfera e com a intenção do filme. É quase impossível imaginar outro ator em seu lugar, capaz de entregar cenas horripilantes e ao mesmo tempo até cômicas. Já Robert Pattinson veio disposto a mostrar todo seu talento, entregando-se de alma e coração e ajudando a construir a história do personagem. Exceto em um pequeno momento em que o ator chega no limite, o restante do filme serve como um alerta para quem não acredita em seu talento.

O estilo de contar histórias de Eggers é algo ímpar, uma vez que é um dos poucos que não se apoia somente no jump scare, e ainda enriquece a narrativa misturando mitologia e contos regionais. Foi justamente esse estilo e confiando no roteiro que Willem Dafoe aceitou imediatamente participar do filme, conforme falou em coletiva de imprensa.

Também em presente em coletiva, Robert Eggers informou que a história foi inspirada na ideia e na imagem de dois marinheiros jantado à luz de vela, com sombras dominando a imagem. A ideia de contar uma história em um farol também partiu de seu irmão, Max Eggers e juntos criaram um longa que recebeu o prêmio da crítica em sessão paralela da Quinzena dos Realizadores durante o Festival de Cannes.

Também apostando no talento do diretor a A24, responsável por Midsommar, e a RT Produções de Rodrigo Teixeira, responsável por A Vida Invisível. O filme está previsto para lançar no Brasil em 02 de janeiro de 2020 pela Vitrine Filmes.

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  • Direção
  • Roteiro
  • Elenco
  • Fotografia
  • Trilha Sonora
5

Resumo

Original e com atuações potentes, O Farol entrega uma história inquietante e perturbadora construída sobre isolamento e perda da razão.

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