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Crítica | Black Mirror: quinta temporada é a mais tranquila da série

Com direito a cartões postais de São Paulo, Miley Cyrus e o toque de Charlie Brooker, a Netflix traz a temporada mais tranquila da série.

Longe de ser impactante, essa temporada de Black Mirror volta os olhos para sua essência e abre mão do pessimismo, que foi carro chefe de muitos episódios. É claro, dentre um dos três episódios temos uma trama mais dramática, mas ao final o que temos é a sensação de mais leveza, diferente de outras temporadas que acabavam com nossa fé na humanidade e na tecnologia.

Talvez o criador tenha ouvido os telespectadores, ou ainda observado o sucesso que foi Hang the DJ e San Junipero e decidiu nos entregar histórias comoventes que não são apenas pesadelos tecnológicos. Embora o criador da série sempre tenha deixado claro que o problema não é a tecnologia em si, mas o uso dela, isso ficou mais claro nesses últimos episódios que focou nos personagens e suas insatisfações.

Dessa vez temos três episódios, Striking Vipers, Smithereens e Rachel, Jack and Ashley Too, sendo o último o mais fraco a meu ver, mas ainda assim divertido.

No primeiro acompanhamos dois amigos, Danny  (Anthony Mackie) e Karl (Yahya Abdul-Mateen II) e o desenvolvimento de sua relação dentro de um mundo virtual que lembra Mortal Kombat. É também um episódio sobre relacionamentos, passagem de tempo e insatisfação no mundo adulto. Os mais atentos perceberão que a ambientação é um tanto familiar e fica a dica para assistirem ao vídeo com spoiler.

O segundo, Smithereens (cacos), traz uma história mais dramática, contemporânea e com muitos elementos familiares. Trata-se de uma forma mais explícita de criticar a forma como consumimos a internet hoje, em especial as redes sociais. Nele, acompanhamos um motorista  de aplicativo, interpretado por Andrew Scott, tomando medidas drásticas para lidar com o fato de que hoje todos estamos  conectados o tempo todo. Caso tenha interesse em filosofar sobre a vida, universo tecnologia e tudo mais, veja a Live com spoilers e dê sua opinião nos comentários do canal.

Por fim, temos o retorno de Miley Cyrus às telas, interpretando uma Hannah Monatana pop com uma vida mais obscura. Rachel, Jack and Ashley Too é uma aventura da Sessão da Tarde com um toque de Black Mirror. Nela duas irmãs lidam com a perda da mãe, a solidão e uma nova ambientação enquanto a cantora Ashley luta para conseguir assumir sua própria identidade, no meio disso tudo temos uma simpática IA.

Este é um dos episódios mais fracos em termo de narrativa e potência emocional, mas também um dos mais divertidos de assistir. O início  excessivamente expositivo e o contexto clichê em que as personagens principais são inseridas tira um pouco do poder narrativo que Black Mirror normalmente nos traz. Por outro lado, a apresentação de uma vilã e o enredo típico de aventura adolescente com autodescoberta e amizade pode ser uma boa pedida para encerrar a série com uma dose de diversão e otimismo.  Basicamente é uma sobremesa a base de sorvete e chocolate, que não traz nada de extraordinário, mas é difícil de errar e te deixa feliz do mesmo jeito.

Por fim, o impacto de Black Mirror tem diminuído a cada temporada. É certo que ainda se trata de uma série  relevante e inteligente que gera discussão, mas os últimos episódios têm deixado uma sensação de assunto reciclado. Falta o quê de audácia e acidez política que tanto eram admiradas no início. Nos pontos positivos temos o retorno a histórias mais humanas, tendo a tecnologia apenas um papel de suporte e não de vilão.

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