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Crítica | 3ª temporada de Dark a transforma na melhor série da história da Netflix

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Dark é uma ode ao entretenimento de qualidade. Isso é algo essencial de se pontuar na hora de escrever sobre a série alemã que conquistou os assinantes da Netflix.

Ela foi lançada em 2017, na época em que a Netflix estava intensificando suas produções originais de outros países. Séries dinamarquesas, como The Rain, e espanholas, como Elite, viriam se tornar rotineiras. Hoje, a plataforma faz muito conteúdo de línguas não-inglesas e aumentou significativamente sua pluralidade no catálogo.

Assim, Dark estreou. Me lembro que as manchetes retratavam a série como a “nova Stranger Things”, afinal, seu trailer obscuro, com adolescentes em situações tensas, trariam semelhanças com a série de maior sucesso da Netflix na época. No dia 1º de dezembro de 2017 Dark foi lançada e surpreendeu a todos com sua qualidade, temática, digna de filme hollywoodiano, e totalmente diferente das nossas expectativas.

De um ponto de vista bem particular, considero Dark uma das experiências mais raras que o entretenimento pode nos proporcionar. Não que ela seja muito melhor que muitas séries e filmes por aí, nada disso. Mas a forma com que ela consegue nos cativar é comparado à Game of Thrones e aos filmes dos Vingadores, por exemplo. O que quero dizer é: um sentimento de excitação por estar vendo algo que magicamente prende sua atenção até que você consuma tudo o que está disponível naquele momento. Depois que termina, você vai atrás de ler o que as pessoas estão falando sobre, de entender e bolar teorias, de conversar com os amigos e até apresentá-los o conteúdo para que eles assistam e vocês possam conversar depois. É algo raro, principalmente com a avalanche de filmes e séries lançados ultimamente.

O site Tem Alguém Assistindo? foi um dos que recebeu todos os oito episódios da terceira e última temporada de Dark antecipadamente, justamente para fazermos a crítica, aqui no Brasil. Finalizado os episódios, já posso afirmar que esta série se transformou na melhor da história da Netflix. Talvez não chegue no sucesso de La Casa de Papel ou The Witcher, porém, sua qualidade está em outro nível, e quem já assistiu as duas primeiras temporadas sabem bem disso. Que série!

Pois bem, chegou a hora de falar da terceira temporada. Não irei dar nenhum spoiler, portanto, fiquem tranquilos!

No final da segunda temporada, uma Martha misteriosa aparece para salvar Jonas, que viu a sua Martha ser assassinada por Adam, o Jonas mais velho. Atônito com a situação, Jonas pergunta à nova Martha de qual tempo ela veio, e sua resposta foi: “a pergunta certa não é qual tempo, e sim qual mundo”. Então quer dizer que não temos mais apenas viagens no tempo, mas também viagens entre universos paralelos?

A terceira temporada chega nadando de braçadas nesta frase dita por Martha, trazendo mistérios novos à esta trama – literalmente – secular.

Seu criador, Baran bo Odar, afirmou, quando confirmado que a terceira seria a última temporada, que Dark foi pensada e repensada como uma história fechada, com 3 anos fechados, sem possibilidade de alongamento. Estamos cada vez mais desacostumados com isso. Um exemplo claro é a própria Stranger Things, que tem a quarta temporada garantida e, segundo rumores, uma quinta também. Quando é a hora de finalizar uma série de sucesso? Esta pergunta será um dilema eterno para as empresas que as produzem, como a Netflix. Enquanto der dinheiro, vale a pena prolongar (?) – mesmo que a qualidade seja diminuída.

Nesta terceira e última temporada, podemos perceber o que Odar queria dizer. O sentimento de finalização é prazeroso, pois entendemos que não há mais o que contar ao final dos oito episódios. Talvez essa seja a questão mais relevante de tudo o que assistimos e iremos assistir em Dark: ela acaba na hora que tem que acabar, sem mais nem menos, assim como a vida real. Sem enrolações.

Suas atuações com certeza são um dos grandes chamativos do seu sucesso. No documentário sobre La Casa de Papel, lançado logo após a quarta temporada, é falado por seu criador que o enorme sucesso da série se deu por 3 motivos juntos, e que separados poderiam a transformar em mais uma qualquer: a roupa vermelha, a máscara de Salvador Dali e a música Bella Ciao.

Algo semelhante aconteceu com Dark. Além do tema – volta no tempo – que sempre chama a atenção, sua língua e localização, junto com o carisma dos atores, fazem ela se transformar neste grande sucesso. As atuações de Louis Hofmann (Jonas) e Lisa Vicari (Martha) são absolutamente viscerais. Lisa dá um show de protagonismo e surpreende na hora das cenas dramáticas, tendo uma presença na tela que é bem difícil quando se não tem o papel principal – ou pelo menos não tinha. Onde estar emocionado e atordoado é o normal, não é fácil se manter assim durante vários episódios seguidos.

A trilha sonora é algo que precisa ser destacado também, porém, ela mantém o que já havíamos visto nas temporadas anteriores. Melancólica e marcante, a trilha sustenta as cenas de forma perfeita.

Seu roteiro continua firme e é o ponto mais forte de Dark. Como falei acima, volta no tempo é um tema quase sempre interessante, pois é um dos grandes mistérios que a humanidade carrega, e trazer isso para uma realidade paupável não é nenhum pouco fácil. Cheio de paradoxos e relações quase impossíveis de traçar, voltar no tempo significa mudar totalmente a realidade no qual estamos acostumados, e seu roteiro faz isso com uma maestria que, vou confessar, não me lembro de ter visto antes.

Esta temporada vem com reviravoltas incríveis, que fogem completamente do óbvio, e confirma essa como a grande característica de Dark. Fugir do que achávamos que iria acontecer. Ao terminar a segunda temporada, a possibilidade de adicionar elementos novos – universos paralelos – ao que já está muito bem estabelecido – volta no tempo apenas – fez com que muita gente temesse que sua qualidade caísse.

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No final, é muito difícil elaborar uma crítica da terceira temporada sem entrar nos spoilers e responder as perguntas que todos querem saber. Por isso, a mensagem mais importante que fica é que Dark se transformou na melhor série original da história da Netflix, se tornando uma experiência rara, no qual quanto menos saber, melhor.

  • Direção
  • Roteiro
  • Elenco
  • Fotografia
  • Trilha Sonora
5

Resumo

É muito difícil elaborar uma crítica da terceira temporada sem entrar nos spoilers e responder as perguntas que todos querem saber. Por isso, a mensagem mais importante que fica é que Dark se transformou na melhor série original da história da Netflix, se tornando uma experiência rara, no qual quanto menos saber, melhor.

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