Análise | We Bury The Dead, um novo olhar sobre as tramas de zumbis

Ava (Daisy Ridley) vai em busca do marido, que se encontra em uma ilha devastada por um acidente militar que vitimou todas as pessoas que ali estavam. Ao assumir a missão de encontrar corpos e encarar o luto coletivo que tomou conta do lugar, Ava vai descobrir que algumas pessoas estão retornando como mortos-vivos, tornando ainda mais difícil a sensação de processar perdas e memórias.

Grande parte do peso do filme recai sobre Daisy Ridley — e ela segura essa responsabilidade com uma atuação simplesmente excepcional. A sua personagem parece quase enigmática no início, com emoções embaralhadas que não se entregam de forma fácil. Mas é justamente aí que a performance brilha: mesmo quando você não entende racionalmente o que ela está sentindo, você sente junto. Existe uma confusão emocional muito bem traduzida no olhar, nos silêncios e nas pequenas reações, criando uma conexão que vai muito além do texto. As interações da protagonista com um companheiro de trabalho, chamado Clay (Brenton Thwaites), inicialmente parecem ser irrelevantes, mas depois carregam um sentido mais sensível pra dentro do filme.

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Talvez o maior trunfo da obra seja justamente não ser o que a gente espera de uma história de zumbis. We Bury the Dead segue por um caminho mais contemplativo, quase introspectivo, trocando energia e caos por melancolia e reflexão. É um novo take sobre mortos-vivos que surpreende pela originalidade e pela coragem de desacelerar — algo que, curiosamente, lembra o tipo de profundidade emocional que muita gente esperava das continuações recentes de Extermínio. Aqui, o apocalipse não é só sobre correr ou lutar, mas sobre provocar algo dentro de nós no meio da bagunça toda.

Ainda assim, essa proposta mais sensorial cobra seu preço. O filme se arrasta em alguns momentos, com cenas extremamente paradas que testam a paciência do espectador. Em certos casos, essa lentidão faz todo sentido dentro da narrativa, reforçando o vazio e o peso existencial da situação. Em outros, porém, parece apenas excesso — como se o filme esticasse ideias que já estavam bem resolvidas. No fim, We Bury the Dead é uma experiência que pode não agradar quem busca adrenalina constante, mas entrega algo muito mais raro: um apocalipse que dói, ecoa e permanece.

Nota; 3,5/5

Direção: Zak Hilditch
Elenco: Daisy Ridley, Mark Coles Smith, Brenton Thwaites

Análise feita por Laércio Barbosa

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