Um grupo de amigos da comunidade LGBTQIA+ que se reúne para uma noite caótica e festiva, quando repentinamente um surto zumbi começa a se espalhar do lado de fora da boate — e, claro, eventualmente invade o rolê. Presos em um espaço fechado, eles precisam lidar não só com os mortos-vivos, mas também com suas próprias neuroses, tretas internas e dinâmicas afetivas.
O filme começa com uma energia deliciosamente caótica, apostando em um humor absurdo que funciona muito bem justamente por brincar de forma excêntrica com situações cotidianas da comunidade LGBTQIA+ (a cena inicial trata-se de uma drag queen procurando um encontro casual dentro da igreja). As piadas têm timing, personalidade e uma certa malícia que lembra aquele tipo de conversa afiada de pista de dança às 3 da manhã. Existe uma autenticidade na forma como os personagens interagem — pelo menos no texto — que dá a sensação de que estamos assistindo a algo vivo, pulsante e cheio de identidade. É o tipo de início que faz você pensar: “ok, isso aqui pode ser algo especial”.
E, de fato, os personagens são um dos grandes trunfos. Muitos deles são memoráveis, com arquétipos bem definidos e potencial para se tornarem icônicos dentro desse subgênero. O problema é que nem todo o elenco consegue sustentar essa proposta com naturalidade – a suposta protagonista, Dre, interpretada por Katy O’ Brian, nunca diz a que veio realmente. Em vários momentos, as atuações parecem engessadas ou artificiais, como se o texto estivesse um passo à frente da entrega. Isso cria um certo ruído, porque você enxerga o brilho da ideia, mas nem sempre sente ele sendo plenamente realizado na tela.
A partir da metade, o filme começa a tropeçar feio — quase como um zumbi cansado depois de correr atrás de um figurante. A narrativa entra em repetição, especialmente na forma como os zumbis são utilizados: falta criatividade, falta variação, falta inventividade visual. A ameaça, que deveria crescer e se intensificar, acaba soando fraca e pouco convincente, o que diminui drasticamente a tensão. Soma-se a isso um evidente baixo orçamento que limita o senso de espaço — tudo parece acontecer no mesmo ambiente, dando a impressão de que os personagens estão eternamente presos em um galpão genérico. No fim das contas, Queens of the Dead é um filme com ideias ótimas e identidade forte, mas que se perde do meio para o final, como alguém que começou a noite entregando tudo na pista e terminou sentado no canto, exausto e sem saber como voltar pro centro da festa.
Nota: 2,5/5
Direção: Tina Romero
Elenco: Katy O’ Brian, Nina West, Dominique Jackson
Análise feita por Laércio Barbosa