Análise | POV: Presença Oculta, uma obra que repete tudo que você já viu

Dois policiais, Jackson (Jaime M. Callica) e Bryce (Sean Rogerson) durante o que parecia ser apenas mais um turno comum, acabam atendendo uma ocorrência que rapidamente se transforma em uma noite infernal. Registrando tudo por câmeras corporais, eles entram em uma espiral de eventos cada vez mais estranhos e violentos dentro de uma comunidade periférica, onde o que começa como tensão social logo dá lugar a uma ameaça sobrenatural difícil de compreender — e ainda mais difícil de enfrentar.

O grande problema de POV: Presença Oculta é que este é mais um título que não traz absolutamente nada de novo para o já saturado subgênero de “câmera na mão”. Pelo contrário, o filme parece uma coletânea dos maiores clichês possíveis — câmera tremida em momentos convenientes, falhas técnicas estratégicas, sustos previsíveis e aquele clássico “não mostra direito, mas faz barulho alto”. Em vez de reinventar ou pelo menos brincar com a linguagem, o filme segue um manual genérico, como se tivesse medo de arriscar qualquer coisa minimamente original.

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O mais frustrante é que existe uma faísca de algo interessante ali. A obra claramente flerta com temas como brutalidade policial e a relação com comunidades marginalizadas, sugerindo um subtexto mais denso. Só que essa camada é abandonada no meio do caminho, como se o roteiro simplesmente esquecesse que tinha algo a dizer. No lugar disso, entram sustos baratos e decisões narrativas questionáveis, incluindo ações de personagens que não fazem o menor sentido – como, por exemplo, a mãe de um dos protagonistas que aparece em certa altura da trama e simplesmente decide reter as informações que sabe sem qualquer motivo aparente.

No fim das contas, o filme funciona mais como uma sequência de “momentos tensos” jogados um atrás do outro do que como uma história de fato construída. Falta uma espinha dorsal, falta progressão, falta propósito. É como assistir a vários clipes de tensão colados sem muita lógica, criando uma experiência que até pode gerar alguns picos de adrenalina, mas dificilmente deixa impacto duradouro. POV: Presença Oculta até tenta parecer intenso e relevante, mas acaba se perdendo em um mar de decisões preguiçosas — uma entidade que faz barulho, mas que não assombra ninguém.

Nota: 1,5/5

Direção: Brandon Christensen
Elenco: Jaime M. Callica, Sean Rogerson, Catherine Lough Haggquist

Em cartaz nos cinemas

Análise feita por Laércio Barbosa

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