Um elenco de peso, um título interessante e Guy Ritchie na direção? Na Zona Cinzenta parecia exatamente aquele tipo de filme que surge do nada e consegue se destacar no meio da temporada de verão nos cinemas. Afinal, daqui pra frente, o cinema estará congestionado de sequências, e talvez um projeto original antes da tempestade fosse exatamente o que eu precisava.
Entretanto, Na Zona Cinzenta acaba sendo uma das maiores decepções de 2026 até o momento e, sinceramente, talvez o pior filme da carreira de Guy Ritchie.
Uma equipe de mercenários de elite, liderada pela advogada Sophia (Eiza González), recebe a missão de se infiltrar em uma ilha para recuperar uma quantia milionária das mãos de Manny Salazar (Carlos Bardem).
Se vocês prestaram atenção até aqui, vão perceber que essa é uma sinopse extremamente simples: uma missão, um grande vilão e muita pancadaria. E tudo bem, filmes de ação envolvendo resgates, seja de pessoas, informações ou dinheiro, normalmente seguem essa estrutura. Existe toda uma sequência de planejamento na qual os personagens param para explicar o plano ao público, colocando todos na mesma página. Essas cenas também servem para aumentar a tensão, porque quanto mais complicada a missão parece, maior a chance de tudo dar errado e os personagens precisarem improvisar.
Bom… e se eu disser que Na Zona Cinzenta transforma praticamente toda a sua duração de cerca de uma hora e meia apenas no planejamento desse plano? E pior: sem que nada realmente interessante aconteça.
Após a introdução, na qual Sophia é recrutada por uma empresa multimilionária para agir contra Salazar, o filme, e eu realmente não estou brincando, se resume a explicar o plano dela e de sua equipe durante praticamente todo o restante da duração.
Não existe desenvolvimento de personagens, não existem grandes cenas de ação, mal existem diálogos entre os integrantes da equipe. É apenas explicação em cima de explicação, e eu sinceramente não consigo entender qual era a ideia aqui. Parece que, de alguma maneira, Guy Ritchie queria transformar a trama em algo mais complexo do que sua própria premissa permitia, e o resultado foi um promissor filme de ação reduzido a um verdadeiro Telecurso 2000 estrelado por atores famosos.
Jake Gyllenhaal, no papel de Bronco, e Henry Cavill, no papel de John Grey, deveriam ser a dupla perfeita para um filme de ação bem-humorado. Entretanto, o roteiro resume seus personagens a verdadeiros bots automáticos de explicação. Não existe dinâmica entre os dois, camaradagem ou qualquer tipo de química que faça o público se importar com aquela equipe. Sinceramente, se fossem outros atores nos papéis, o resultado provavelmente seria o mesmo.
Francamente, parece até que fiquei me repetindo durante o texto inteiro, né? Mas é porque simplesmente não existe muita coisa para dizer sobre esse longa que realmente agregue ou o torne mais interessante do que ele é. Na Zona Cinzenta é um filme vazio, sem personalidade, e seu maior crime talvez seja desperdiçar um elenco dos sonhos em um projeto que mais parece descarte de streaming.
Nota: 1,5/5
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Eiza González, Henry Cavill, Jake Gyllenhaal, Carlos Bardem, Rosamund Pike, Fisher Stevens
Análise feita por Bruno Sá