Os irmãos ultra-ricos Jack (Jamie Bell), Ed (Callum Turner), Anna (Riley Keough) e Robert (Lukas Gage) vivem reclusos e usufruindo de uma grande fortuna herdada, sob o comando do patriarca cego da família (Tracy Letts). Quando o irmão mais velho se envolve com uma jovem artista chamada Martha (Elle Fanning), segredos, fetiches e ressentimentos vêem à tona.
Aqui o diretor Karim Aïnouz faz uma sátira que adapta o filme italiano De Punhos Cerrados (1965) e quaaase consegue atingir o ponto certo. Com um visual despojado estimulante que demarca bem o verão da Catalunha, a narrativa se debruça sobre a ideia de testemunhar as idas e vindas malucas da elite alienada, mas o filme tropeça num narrador que parece estar descrevendo outro filme. Ed é o escolhido para apresentar suas visão durante toda a história, mas o seu voice-over parece forçado e perdido, como se ele não estivesse à altura da paródia da obra, ou pior, soa como se ele fosse uma piada sem autoconsciência alguma.
O humor meio sagaz e meio atrapalhado do filme caminha torto nas dois primeiros atos, como se o roteiro não soubesse onde parar e muito menos soubesse quais são seus pontos fortes. Aí, nos últimos 30 minutos, finalmente encontra o tom: deixa de querer ser inteligente ou engraçadinho demais e vira cruel, imprevisível e divertido de verdade. O problema é que quando ela fica boa, você já está checando o celular e pensando no que vai jantar. É aquele filme que melhora quando acaba – elogio meio triste, mas ainda elogio.
Nota: 3,5/5
(Assistido no Festival do Rio)
Direção: Karim Aïnouz
Elenco: Callum Turner, Tracy Letts, Jamie Bell, Elle Fanning
Análise feita por Laércio Barbosa