Análise | ‘Hit a Dois’ prova que a música pertence a quem a sente

Qualquer projeto com Paul Rudd já é suficiente para me levar ao cinema. O eterno vampiro, porque ele simplesmente nunca envelhece, consegue se destacar com seu bom humor e simpatia em qualquer produção da qual participa, além de possuir uma desenvoltura única para a comédia. O longa em questão o coloca ao lado de Nick Jonas, músico, compositor e ator que, junto de seus irmãos, integrou os Jonas Brothers e também construiu uma carreira sólida no cinema, especialmente em projetos da Disney. No papel, a dupla parecia a combinação perfeita.

Hit a Dois emociona ao tocar os acordes certos. Divertido, dramático e cheio de coração, o longa rapidamente prova que a música é uma linguagem universal.

Crítica Hit Para Dois: dolorido - Delfos

Rick (Paul Rudd) faz parte de uma banda de covers que se apresenta em casamentos, mas, em seu tempo livre, dedica-se a compor músicas sonhando em alcançar um novo patamar em sua carreira. Durante uma apresentação, ele conhece Danny (Nick Jonas), um ex-astro de boy band que está iniciando sua trajetória solo.

Após compartilharem um momento musical, Rick faz uma terrível descoberta: uma de suas composições foi roubada por Danny e transformada em um sucesso mundial. Determinado a provar a verdade para sua família e para o mundo, ele embarca em uma jornada em busca de reconhecimento, justiça e da autoria de sua própria obra.

Hit para Dois”: filme com Paul Rudd e Nick Jonas ganha trailer oficial - Tracklist

Eu nunca fui muito por dentro do mercado musical. Sim, assim como qualquer outra pessoa, não existe nada que eu faça sem estar escutando uma boa música e, em determinado momento da minha vida, até mesmo tocava algumas, mas nunca o suficiente para mergulhar de cabeça nessa indústria. Mais do que o filme em si, o longa abriu meus olhos para outra questão: compositores e músicos que têm suas obras roubadas. De tempos em tempos vemos declarações desse tipo surgirem e serem rapidamente silenciadas, mas onde está a verdade? Quantas obras não foram devidamente creditadas?

A jornada de Rick é angustiante. Nós, como público, vemos ele tocar a música, vemos que a composição é dele, mas ele é incapaz de provar isso ao mundo. Como um músico pequeno, Rick se vê diante de uma indústria poderosa que busca silenciá-lo.

Lembra do que eu disse sobre Paul Rudd? O ator é o grande destaque do longa. Ele consegue misturar drama e comédia de maneira ímpar. Vemos um pai bem-humorado e devoto à sua família tendo que lidar com a frustração de ver seu trabalho roubado enquanto seus amigos e familiares não acreditam nele, mesmo após ouvirem aquela música inúmeras vezes ao longo dos anos sem jamais prestarem atenção de verdade.

CRÍTICA: HIT PARA DOIS

A frustração de Rick por não receber o devido reconhecimento entra em conflito direto com Danny, cujo reconhecimento não é exatamente o que ele desejava. Interpretado por Nick Jonas, Danny é apresentado inicialmente como um jovem simpático, alguém de quem você não espera uma atitude como essa. Ex-integrante de uma boy band, o personagem é visto pela indústria como um artista de uma nota só, alguém cujo valor parecia existir apenas enquanto fazia parte de um grupo. Diante das pressões do mercado musical, sua apropriação da obra de Rick surge como uma solução conveniente em um mundo movido por números, sucessos e resultados imediatos.

Nick Jonas também empresta sua voz e composições ao longa, entregando algumas músicas incríveis, algumas delas, inclusive, estou escutando enquanto escrevo esta análise. Entretanto, sua atuação não acompanha o nível apresentado por Paul Rudd. Jonas demonstra certa dificuldade em transmitir as emoções mais complexas do personagem e, em alguns momentos, parece incapaz de sustentar o peso dramático da narrativa.

Acredito que o próprio roteiro percebe isso, já que, conforme a trama avança, todo o peso emocional da história passa gradualmente para Rick. A partir da segunda metade, Paul Rudd se torna o protagonista definitivo da narrativa e carrega o filme nas costas com enorme facilidade.

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O maior feito do longa está em sua simplicidade ao abordar o significado da música para diferentes pessoas. Uma mesma melodia pode representar tristeza, alegria, amor ou perda dependendo de quem a escuta. O mesmo vale para composições que, muitas vezes, são apropriadas pelo público sem que ele conheça, ou sequer procure entender, a verdadeira intenção por trás daquela obra.

Consumimos músicas, criamos memórias e atribuímos significados próprios a elas, mas raramente pensamos na mensagem que motivou sua criação. Hit a Dois nos lembra que apenas nós compreendemos completamente nossas intenções, nossos sentimentos e aquilo que desejamos transmitir através das nossas criações.

Hit para Dois – Cinema UP

No fim das contas, o filme não é apenas sobre reconhecimento externo, fama ou sucesso. É sobre um reconhecimento muito mais íntimo. A certeza de poder olhar para algo e dizer: eu fiz isso, essa é a minha voz, essa é a minha história.

Nota: 4/5

Direção: John Carney

Elenco: Paul Rudd, Nick Jonas, Havana Rose Liu, Jack Reynor, Marcella Plunkett, Sophie Vavasseur

Análise feita por Bruno Sá

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