Análise | Iron Lung, uma história voltada paras os fãs do game

Um prisioneiro solitário chamado Simon (Markplier) recebe a seguinte missão: pilotar um pequeno submarino enferrujado por um oceano de sangue em um planeta desconhecido, registrando coordenadas e tirando fotografias do que existe lá fora. O problema — claro — é que o lado de fora é um completo mistério, e o lado de dentro é claustrofóbico o suficiente pra fazer qualquer um começar a questionar a própria sanidade. Com comunicação limitada e sem garantias de sobrevivência, a jornada rapidamente se transforma em um mergulho psicológico e existencial.

Logo de cara, o filme deixa claro que não está nem um pouco preocupado em segurar a mão de quem não conhece o jogo em que a obra é baseada. A adaptação parece partir do princípio de que você já sabe onde está se metendo, jogando pequenas migalhas de informação sobre aquele universo sem nunca realmente construir uma base sólida. Para quem vem “cru”, a sensação é de estar assistindo a um capítulo do meio de uma história maior — o que pode ser intrigante pra alguns, mas frustrante pra muitos. Falta contexto e desenvolvimento de mundo; e sobra aquela sensação de “será que eu perdi alguma coisa?”.

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A primeira hora é, sem exagero, um teste de resistência. A proposta de acompanhar um personagem preso em um espaço minúsculo poderia render uma tensão sufocante, mas aqui acaba escorregando para algo repetitivo e pouco envolvente. A movimentação limitada, os comandos técnicos e a ausência de variação visual fazem o filme girar em círculos — como se a experiência estivesse presa no piloto automático. É o tipo de construção lenta que não recompensa o suficiente, deixando o espectador mais inquieto do que imerso.

Curiosamente, a segunda metade consegue dar uma respirada — ou pelo menos uma falsa sensação disso dentro daquele submarino opressor. A ação aumenta, os perigos começam a se desenhar com mais clareza e o filme finalmente entrega algumas respostas… ainda que acompanhadas de novos elementos cósmicos e abstratos que mais confundem do que esclarecem. Markiplier, como diretor e protagonista, segura bem a performance e demonstra comprometimento com a proposta, mas ainda falta aquele algo a mais — seja em intensidade, seja em nuance — pra transformar a experiência em algo realmente memorável. No entanto, pode-se dizer que como primeiro trabalho no cinema fazendo três funções (diretor, produtor e protagonisya), Markiplier cumpre seu serviço de forma mediana. No fim, Iron Lung é uma adaptação curiosa, cheia de potencial atmosférico, mas que parece ficar à deriva entre o experimental e o envolvente.

Nota: 2,5/ 5

Direção: Markiplier
Elenco: Markiplier, Caroline Kaplan

Em cartaz nos cinemas

Análise feita por Laércio Barbosa

Iron Lung
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